quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Colóquio Estudos Feministas e Cidadania Plena

as mulheres
mito aberto
.
seis meses
pousio
rasura

.

a nomeação é violenta
como mil corvos desdobrados em excesso normativo
penetração na estrutura de negrume
.
LUA
a linguagem das mulheres que possuem a chave
terra enfeudada
.
the kiss_o beijo
estilhaça
nós
.

eis
a retoma do corpo
público
proteico
.

no matter whatEVER
há estatutos
a cumprir
1) o feminismo encoraja a matar maridos
2) o feminismo mina o capitalismo
3) o feminismo mata filhos e filhas
4) o feminismo leva à prática do lesbianismo

no matter whatEVER
há corrector
corpográfico
1) verifique se quer manter matar
2) verique se quer manter capitalismo
3) verifique se quer manter maternidade
4) verifique
se quer manter
SE
verifique
SE

. é lésbica
. é complemento directo
. é contratante


.sem sugestões

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

poema depois de lhe dar a pomba seguido de inquérito

alguém
postou
um poema
no
pára-brisas-pára-brisas-pára-brisas.
veio a pomba
e cagou
no poema
nesta cidade
em infracção às leis
circulava hoje

MATRÍCULA 11-22-Bravo November

o Conselho das Deusas resolveu pesquisar o acaso
abre-se um questionário
na pomba
mal estacionada
no poema

II- Questionário
nome
: de pomba
contribuinte
:duas asas para a rasura do céu
licença
:toda
emitida por
ém

algures

parecer final
: cagalhoto da pomba podendo servir como prefácio do poema
descontínuo
ilegível

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

collage a partir de poema de Alberto Lacerda


inspirado numa duende

"visto que você não quer que as coisas continuem
assim
nesse caso
falemos de miosótis
Flor sobre a qual não sabemos
Nada"

ceci c'est un miosótis

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008




domingo, 3 de fevereiro de 2008

Pequeníssimo poema à (em) quadra

posto que-

no tempo das más-caras gordas me procuraste debaixo para cima e
disseste com o dedo mindinho lavadinho jeitosinho tolinho ser a hora do guizo
mu(n)do acordaaaaar!!! o carnaval essa teoria de afastamentos da carne

sendo que -
e tal e coisa e coisa e tal
e assim e assado

nunca dormias de cabeça para baixo na linha do meu OlhO esquerdO
e te enrOlavas sempre no círculO certO da serpentina a iniciar o azul

posto QUE -
sendo QUE -
ainda QUE -
mesmo QUE -
mas sobretudo porQUE
-
disfarçaste de tamanho o volume do baile dos três escafandros e aumentaste o ritmo do som certo

aposto que-
sendo que -
além de que -
e não tem de que
-
te vestes outra, te enrolas outra
diZ guise this guy não!

tivesse eu um

e outras formas de penumbra sistemática

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Pequeníssimo poema à quadra


posto que no tempo das máscaras gordas me procuraste debaixo para cima e disseste com o dedo mindinho ser a hora do guizo mudo acordaaaaar!!! o carnaval
sendo que nunca dormias de cabeça para baixo na linha do meu Olho esquerdo e te enrOlavas sempre no círculO certO da serpentina azul

posto QUE
sendo QUE
disfarçaste de tamanho o volume do baile e aumentaste ao ritmo do som certo

aposto que
sendo que
te vestes outra, te enrolas outra

diZ guise this guy não!

apud - Associação Portuguesa para a Usurpação De-mente

para a Alberto (hoje e sempre, a urbepoeta e uberpoeta mas, e sobretudo, úberepoeta)

Estatutos:

depois da carta bebe-se o vinho gelado e fotografa-se um corpo morno . pouco importa se se continua vivo. tem é que escrever uma carta quente e referenciar um frio instante de maior lucidez como se as radiografias fossem espelhos viscosos manchados e finos papéis que amareleceram de impaciência. se entrançar uma dúzia de maldições os copos estilhaçam cortantes e há a certeza de sobreviver transumantemente cantando como se a escrita fosse um ofício tumular. apud estrelas. cintilaria se os barcos fingissem afundar e o corpo gerasse uma própria fenda. assim, já que se iluminam os pulsos porque não por-me a morrer em sal. eis-me com a inutilidade do meu próprio inferno. outros poemas, nada e as aves abertas sobre o mar de especial. um programa de música de dança morna e atordoam-se os girassóis rápidos numa qualquer parte da cidade lenta.são os gatos que desfalecem à hora em que as aranhas se arrastam no rasto dos caracóis. quando são necessários é preciso encontrá-los antes que seja tarde.(é sempre tarde) a cidade exige urgência nas frontes e soluços incorruptos e a tolerância gasosa do hidrogénio dos respiradouros. há um cartaz colado na face polida de Esopo. com andorinhas secretas e pomares recheados.deixa que o corpo seja solar porque os gnomos partem cedo para a morte.
sem avisar.levando consigo o stock existente de Sagres Bohemia e os amendoins com sal a girar nas docas das bocas em montanha russa.

serve a presente para constatar, no artigo 2 alínhea Y da referida associação, no âmbito das competências por si definiadas, juntamente com os demais presentes

apud

para a Alberto (hoje, a urbepoeta)
depois da carta bebe-se o vinho e fotografa-se um corpo. pouco importa se se continua vivo. tem é que escrever uma carta e referenciar um instante de maior lucidez como se as radiografias fossem espelhos manchados e finos papéis que amareleceram. se entrançar uma dúzia de maldições os copos estilhaçam e há a certeza de sobreviver transumantemente cantando como se a escrita fosse um ofício tumular. apud estrelas. cintilaria se os barcos fingissem afundar e o corpo gerasse uma própria fenda. assim, já que se iluminam os pulsos porque não por-me a morrer em sal. eis-me com a inutilidade do meu próprio inferno. outros poemas, nada de especial. um programa de música de dança e atordoam-se os girassóis numa qualquer parte da cidade.são os gatos que desfalecem quando são necessários. é preciso encontrá-los antes que seja tarde.a cidade exige urgência nas frontes e soluços incorruptos e a tolerância do hidrogénio dos respiradouros. há um cartaz colado na face polida de Esopo. com andorinhas secretas e pomares recheados.deixa que o corpo seja solar porque os gnomos partem cedo para a morte.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Amigas da cultura ou how we looove C*!MBR#

Pois é. às vezes quando se fala muito numa coisa. essa coisa é importante. pela língua. pode mesmo. empurrar-se ministro/as do poleiro. chão.

As arahiças lançam um repto:
leiam e subscrevam o texto do/as amigo/as da cultura, AQUI.
Deixamos umas pitadas:
Coimbra é hoje uma cidade amarfanhada do ponto de vista cultural(...)
E é sobretudo muito triste que Coimbra continue espartilhada nesta forma de encarar a actividade cultural e a criação artística e amarrada a uma tão grande incompreensão sobre o papel destas actividades no desenvolvimento das pessoas e da comunidade.(...)
Para dizer que já chega. Para mostrar que não aceitamos com naturalidade a redução sistemática das verbas destinadas à cultura. Para apelar a uma urgente inversão de rumo (...)

A clavícula interior do sono

não entres mais. agora. basta de |

pétalas nocturnas. basta. Nasceram |

nocivas as trinta mulheres de |

olhos radiais tenho um requiem |

e plumas brancas para te ver arfar. recorto |

os recortes recortados da |

parcela que falta |

para o meu ombro. caule aquático |

.canta-me uma balada. das sete saias |

. ou quase nada. se(m)_te(r) tons |

dó menor e uma cegonha |

poisada como pedúnculo. sabes o que é um pedúnculo? sabes |

o que é a nervura de um lenço? |egue

cega-me |

as glândulas com os guizos |

e um castiçal contínuo e desiquilibrado |

inquilina fotografias cheias |

de ar |

de reservatórios de crianças - voltagens de astros. |

cospe o bosque completo do umbigo |

que na seiva volumosa dos ovos asfixia cobras |

corporais geralmente verdes |

geralmente longas |

mas também abissais alcançam por dentro



terça-feira, 29 de janeiro de 2008

a clavícula interior do sono

Não entres mais agora. basta de flores nocturnas. Basta.
Nasceram agora as trinta mulheres de olhos radiais
e tenho um requiem e plumas brancas para te ver arfar.
recorto os recortes recortados da parcela que falta
para o meu aniversário.
canta-me uma balada a sete tons em dó menor
e uma cegonha poisada como pedúnculo.
sabes o que é uma nervura de um lenço?
segue-me as glândulas com os guizos
e um castiçal contínuo. inquilina fotografias cheias de ar
e reservatório se as crianças voltagens de astros.
cospe o bosque completo do umbigo
que na seiva volumosa dos ovos asfixiam cobras corporais
geralmente verdes.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Tou Fabaios? Uma saídinha para Covão do Coelho Branco de Baixo, pode ser?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: O quê? Para onde? (Não tá a ouvir a minha voz de pânico que eu estava a dormir e só atendi esta merda porque tinha de ser e ninguém me paga nada por isso? Mas o que foi? Eu sei lá alguma coisa dessas merdas e já me arrependi de te me ter metido nisto para conhecer miúdas no bar da associação.


Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Oh Fabaios é que temos aqui um masculino delgado com 43 segundos de duração e diz que caiu do cânone abaixo e parece que está morto.
O soneto que nos contactou disse que ele estava a perder coerências semânticas e a ficar sem rimas. Precisa urgentemente de manobras linguísticas avançadas de salvação. Se não aquilo depois fica de tal maneira experimental que não há quem aguente. O cânone já disse “Estamos a deixar isto chegar à epidemia”.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Mas o que é que eu faço? Mas eu agora, oh valha-me nosso zenhor, não pode ser, que eu agora, portantos, tou sozinho.

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Vamos mandar uma Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema que está estacionada em Vila
e Tal para ver se ainda há volta linguística a dar-lhe. Fale ali com a Sôtora Crítica de Letras e dê-lhe umas indicações.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Tou? Tou? (Eu posso fazer de contas que não ouvi nada desta merda?) Tou? Tou?

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Valha-me deus, tou lixada.


Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila
e Tal: Tou? Então diga-me lá como é que lá chego.


Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Atão, agora como é que lhe vou dizer, oh valha-me deuze. Atão aquilo chega-se ali a Alguidares de Cima e vai sempre em frente, sempre em frente, nas bombas de gasolina em cima, tem uma rotunda à esquerda, depois chega à rotunda do poço e vira à esquerda, depois segue em frente em frente e chega ali ao SuperMarché e vira à direita para Covão do Coelho Branco de Baixa Auto-Estima, depois vira ao pé da árvore grande e segue em frente em frente em frente em frente e há-de chegar ali à oficina do Manel das Couves e segue sempre em frente em frente sempre em frente sempre em frente e depois há-de ver uma rotunda com duas partes porque não é bem uma rotunda mas a câmara esqueceu-se de a acabar o passeio muda de cor junto aos candeeiros e, portanto não há necessidade d'a controlar e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente de depois chega à placa de Covão do Coelho Branco de Baixo mas atenção, aí vire à esquerda porque se entra na povoação nunca mais de lá consegue sair por causa dos ovos gigantes, depois segue sempre em frente, sempre em frente sempre em frente é o covão. É aí. Isto a bem dizer é sempre em frente e não tem nada que enganar, sempre pela estrada afora. Desemtxaibido.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila
e Tal: É?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: É.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila
e Tal: Para onde, desculpe?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Pró Covão do Coelho Branco de Baixo. Então mas agora o que é que eu faço?

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Mas oh Fabaios, então pergunta-me o que tem de fazer? Nunca tal coisa me aconteceu, desculpe lá. Ai! É óbvio que tem de enviar já para lá uma viatura de Apoio ao Poema em Crise, não podemos permitir mais poemas a armar ao engraçado que pensam que são poemas e quê. Já para não falar desse pessoal que anda para aí a matar a literatura com as pupilas de fora ao escrever em computadores e tal e quê.
Eu não quero ter o cânone à perna porque ele tem too much tomates. Não pode ser, temos de colocar já isso na linha. É seguir o protocolo, é contar-lhe os versos, é fazer riminhas giras, é alinhar tudo à esquerda, é colocar um título decente, é especialmente ver se o sujeito poético é sério, se é muito sério e qual o nível de sentimento e banalidades confessionais presentes, é ver o assunto que é fundamental e ver se há unidade temática e muitas comparações em vez de metáforas, não podemos tolerar coisas que não sejam profundamente imitações dos clássicos. Fui clara?



Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Tou Fabaios? Uma saídinha para Covão do Coelho Branco de Baixo, pode ser?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: O quê? Para onde? (Não tá a ouvir a minha voz de pânico que eu estava a dormir e só atendi esta merda porque tinha de ser e ninguém me paga nada por isso? Mas o que foi? Eu sei lá alguma coisa dessas merdas e já me arrependi de te me ter metido nisto para conhecer miúdas no bar da associação.)

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Oh Fabaios é que temos aqui um masculino com 43 segundos de duração e diz que caiu do cânone abaixo e parece que está morto. Precisa urgentemente de manobras linguísticas avançadas de salvação.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Mas o que é que eu faço? Mas eu agora, oh valha-me nosso zenhor, não pode ser, que eu agora, portantos, tou sozinho.

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Vamos mandar uma Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema que está estacionada em Vila Teal para ver se ainda há volta linguística a dar-lhe. Fale ali com a Sôtora Crítica de Letras e dê-lhe umas indicações.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Tou? Tou? (Eu posso fazer de contas que não ouvi nada desta merda?) Tou? Tou?

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Valha-me deus, tou lixada.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: Tou? Então diga-me lá como é que lá chego.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Atão, agora como é que lhe vou dizer, oh valha-me deuze. Atão aquilo chega-se ali a Alguidares de Cima e vai sempre em frente, sempre em frente, nas bombas de gasolina em cima, tem uma rotunda à esquerda, depois chega à rotunda do poço e vira à esquerda, depois segue em frente em frente e chega ali ao SuperMarché e vira à direita para Covão do Coelho Branco de Baixa Auto-Estima, depois vira ao pé da árvore grande e segue em frente em frente em frente em frente e há-de chegar ali à oficina do Manel das Couves e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente e depois há-de ver uma rotunda com duas partes porque não é bem uma rotunda mas a câmara esqueceu-se de a acabar e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente de depois chega à placa de Covão do Coelho Branco de Baixo mas atenção, aí vire à esquerda porque se entra na povoação nunca mais de lá consegue sair por causa dos ovos gigantes, depois segue sempre em frente, sempre em frente sempre em frente é o covão. É aí. Isto a bem dizer é sempre em frente e não tem nada que enganar, sempre pela estrada afora.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: É?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: É.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: Para onde, desculpe?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Pró Covão do Coelho Branco de Baixo. Então mas agora o que é que eu faço?

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Mas oh Fabaios, então pergunta-me o que tem de fazer? Nunca tal coisa me aconteceu, desculpe lá. É óbvio que tem de enviar já para lá uma viatura de Apoio ao Poema em Crise, não podemos permitir mais poemas a armar ao engraçado que pensam que são poemas. Já para não falar desse pessoal que anda para aí a matar a literatura ao escrever em computadores e tal. Não pode ser, temos de colocar já isso na linha. É seguir o protocolo, é contar-lhe os versos, é fazer riminhas giras, é alinhar tudo à esquerda, é colocar um título decente, é especialmente ver se é muito sério e qual o nível de sentimento e banalidades confessionais presentes, é ver o assunto que é fundamental e ver se há muitas comparações em vez de metáforas, não podemos tolerar coisas que não sejam profundamente imitações dos clássicos. Fui clara?


Fonte irreal de inspiração em: http://www.youtube.com/watch?v=MRDh-5aEKkg

as regras da perda

Poema desta aranhiça lido por esta aranhiça com colaboração vocal desta aranhiça: (Clicar em "play" para ouvir). Com a colaboração musical de João Guerra.

sábado, 26 de janeiro de 2008

II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa

As aranhiças foram em excreção a Leiria para o II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa organizado pelo IPL.
Tivemos o prazer de partilhar esta excreção com um amigo, também ele tecelador da coisa da poesia, para podermos trocar ideias, sermos mais no caso da experiência se revelar avassaladora e para podermos agora estraçalhar a várias mãos a dita experiência.
Estávamos muito entusiasmadas/o com o painel intitulado Na vanguarda da escrita - ciberliteratura mas logo se nos resfriaram os ânimos. Não queremos dizer mal só por dizer mal (o que às vezes não deixa de ser giro) até porque a iniciativa do IPL é de louvar, num país que tanto precisa de espaços comunitários de debate e troca de ideias, mas temos de tecer algo sobre isto, à laia de reflexão. Paulo Kellerman, Luis Costa Pires e Marta Gautier eram os convidados, e Pedro Barbosa o moderador, que abriu o dito painel com «AlletSator». «AlletSator» é uma obra de ambiente hipermédia substanciado por textos (lidos por diferentes vozes ao longo da obra) gerados automaticamente com auxílio de computador, e foi criado por Barbosa e Carvalheiro.
E depois deste momento vanguardista caímos. Bem para dentro do umbigo dos convidados do painel. E verificámos que têm umbigos perfeitamente conservadores, perfeitamente desconhecedores daquilo para que foram convidados a falar sobre, perfeitamente qualquer-coisa-que-tem-um-blog-e-o-resto-é-nevoeiro. E Pedro Barbosa a desunhar-se diplomaticamente para tentar corrigir dissimular evitar inverter quebrar os “mitos culturais”, e paliar a cyber ignorância e cyber-LATA dos convidados. Ainda fomos presenteado/as com o argumento “a la” fotonovela simplesmente Maria, de que essa coisa de recorrer às técnicas de texto assistida por computador pode ser perigoso (!!!), e que tira a humanidade à literatura, pois desaparece o lugar da emoção no processo de escrita, leia-se escritor/a-indivíduo-all-mighty-iluminado/a a.k.a o/a-grande-artista-sagrado/a. E chegaríamos a um ponto “a la” apocalipse final em que não se conseguiria mais “domar” a máquina e ela produziria fantásticos textos desenfreadamente! … E ainda tivemos de ouvir num outro registo de resistência à, e desconhecimento de, cyberliteratura, Marta Gautier a reflectir sobre a sua profissão, a de psicóloga, que exige tanto de si (sic), e de como os áudio-livros até são bem pensados (refere que é uma experiência muito bonita e gratificante ouvir ler livros no meio do trânsito), e que os livros dela têm areia, mas que não se preocupem que o virtual não vai substituir o papel… Bem, de resto, como compreenderão, estes são os argumentos (?se é que houve “argumentos”) de quem não conhece minimamente o meio da ciberliteratura/ poesia digital ou hipermédia.
Foi pena pois foi. “Tivessem eles, pelo menos, lido alguma coisa sobre o assunto” (como referiu Rui Zink) e talvez, muito talvez, pudesse a coisa ter sido sustentada por mais alguém que não o magnífico Pedro Barbosa.

1-2-3-4-5aranhiças e bruno m. santos

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008


terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Convite à fuga em pano

Ano Novo à solta, aranhiças na blogosfera!

somos ARANHIÇAS, e como tal, ARANHIÇAMOS ARANHICES muito mal ARANHIÇADAS.

as aranhiças querem estar na moda! por isso estão na blogosfera. e não nos contentámos com isso! como agora há planos para nacionalmente tudo (plano de leitura, plano de prevenção rodoviária, plano de ordenamento do território, e para mais informações consultar o site do governamento), as aranhiças também reivindicam o direito a um plano apátrida:
é o PANO DE FUGA.
Lanças algo nesta teia, que se vai tecendo, ao jeito de uma action paiting dos PollockEzes e outras lâmpadas fundidas. Como temos que dar uso às patas que temos, vamos fazendo coisas por aqui, com os signos que temos à pata de semear, mas sobretudo, com os que poderiamos ter. e como não há patas que cheguem para isso, pedimos uma mãozinha, uma patinha ou qualquer ajudinha, que será muito agradecida! Ajuda para quê? PARA *ESCANGALHAR O POEMA, OS SIGNOS, OS SIGNIFICADOS, A REALIDADE!
cá vai a ideia do pano de fuga (não necessariamente por esta hierarquia):

1. as 5aranhiças (aranhiça1,2,3,4 e 5 aglutinadas sob essa totalidade que é a 5aranhiças) postam um poema

2. a(s) aranhiça(s) 1,2,3,4 e/ou 5 escangalham esse poema que foi postado por uma das 5 aranhiças (note: o escangalhamento inter-aranhiçico, está assinalado por cores).

3. a pessoa,animal ou assim-assim pega nesse poema e escangalha-o também, e LANÇA-O NA TEIA (os convencionais "comments") correspondente ao poema-base (que no fundo, pode não existir, porque ja foi escangalhado inter-aranhicicamente)

4. as aranhiças, pessoa, animal ou planta voltam ou não a escangalhar o poema-escangalhado

5. assim sucessivamente

6. *ESCANGALHAR é uma técnica ancestral que consiste em alterar os poemas-base, isto é: acrescentar-lhes palavras, versos, imagens e/ou retirar-lhes palavras, versos imagens, em suma, ESCANGALHAR é destruir e/ou (re)criar.

7. quem não estiver com paciência para escangalhar nada, LANÇA-NOS UM DESAFIO! por exemplo "escrevam a partir desta palavra", ou qualquer outra coisa!

8. como as aranhiças são um pouco confusas, para qualquer dúvida que nós tenhamos tecido, é favor contactar-nos pelo mail. adoramos receber correspondência!

9. pode-se fumar neste blog, e pode mesmo fumar-se este blogue.

10. é obrigatória a reciclagem, e tudo a perspicácia verde-para-a-vida-e-para-a-morte.


11. Please, DO Disturb(S) us!



* ESCANGALHAR: qualquer coincidência com o escangalhar do bolo-rei é pura fi(xa)cção.