segunda-feira, 10 de março de 2008
A irmã de Shakespeare
Ju disse
se
a lua tem buracos vivos
e os buracos das meias longas são meias luas
há que cozer livros nas meias luas dos buracos das meias
ler nos centaurios buracos os nervos
e com olhos escorridos de cães de água dançar por de dentro da saia de interior
os bolsos da menina dos olhos
que contas tu?
Ju disse se
meia louca à porta do palco
prepara o ventre lua de meias aos buracos
quase se
e
(e)mudeceu
se
o corpo alinhar
nas zonas rubras onde se matam príncipes
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Fotonovela: Simplesmente Maria!

a mudança
tem 7 bicos
ir de burrinho para a estação<-- O plano estratégico
e o shell de Oito -->
é posto na rua
durante a noite
com um raminho de Oliveiras
<--e o shell de oito
forma estratégica de abordagem ao Riso
[leia-se: ahahahaha]
Maria é atropelada
no industrial das carnes
depois de ter comido
e não ter calado!
ISTO NÃO É O QUE TU PENSAS!
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Colóquio Estudos Feministas e Cidadania Plena
mito aberto
.
seis meses
pousio
rasura
.
a nomeação é violenta
como mil corvos desdobrados em excesso normativo
penetração na estrutura de negrume
.
LUA
a linguagem das mulheres que possuem a chave
terra enfeudada
.
the kiss_o beijo
estilhaça
nós
.
eis
a retoma do corpo
público
proteico
.
no matter whatEVER
há estatutos
a cumprir
1) o feminismo encoraja a matar maridos
2) o feminismo mina o capitalismo
3) o feminismo mata filhos e filhas
4) o feminismo leva à prática do lesbianismo
no matter whatEVER
há corrector
corpográfico
1) verifique se quer manter matar
2) verique se quer manter capitalismo
3) verifique se quer manter maternidade
4) verifique
se quer manter
SE
verifique
SE
. é lésbica
. é complemento directo
. é contratante
.sem sugestões
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
poema depois de lhe dar a pomba seguido de inquérito
alguémpostou
um poema
no
pára-brisas-pára-brisas-pára-brisas.
veio a pomba
e cagou
no poema
nesta cidade
em infracção às leis
circulava hoje
MATRÍCULA 11-22-Bravo November
o Conselho das Deusas resolveu pesquisar o acaso
abre-se um questionário
na pomba
mal estacionada
no poema
II- Questionário
nome
: de pomba
contribuinte
:duas asas para a rasura do céu
licença
:toda
emitida por
ém
algures
parecer final
: cagalhoto da pomba podendo servir como prefácio do poema
descontínuo
ilegível
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
collage a partir de poema de Alberto Lacerda
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
domingo, 3 de fevereiro de 2008
posto que-
no tempo das más-caras gordas me procuraste debaixo para cima e
disseste com o dedo mindinho lavadinho jeitosinho tolinho ser a hora do guizo
mu(n)do acordaaaaar!!! o carnaval essa teoria de afastamentos da carne
sendo que -
e tal e coisa e coisa e tal
e assim e assado
nunca dormias de cabeça para baixo na linha do meu OlhO esquerdO
e te enrOlavas sempre no círculO certO da serpentina a iniciar o azul
posto QUE -
sendo QUE -
ainda QUE -
mesmo QUE -
mas sobretudo porQUE -
disfarçaste de tamanho o volume do baile dos três escafandros e aumentaste o ritmo do som certo
aposto que-
sendo que -
além de que -
e não tem de que -
te vestes outra, te enrolas outra
diZ guise this guy não!
sábado, 2 de fevereiro de 2008
posto que no tempo das máscaras gordas me procuraste debaixo para cima e disseste com o dedo mindinho ser a hora do guizo mudo acordaaaaar!!! o carnaval
sendo que nunca dormias de cabeça para baixo na linha do meu Olho esquerdo e te enrOlavas sempre no círculO certO da serpentina azul
posto QUE
sendo QUE
disfarçaste de tamanho o volume do baile e aumentaste ao ritmo do som certo
aposto que
sendo que
te vestes outra, te enrolas outra
diZ guise this guy não!
apud - Associação Portuguesa para a Usurpação De-mente
Estatutos:
depois da carta bebe-se o vinho gelado e fotografa-se um corpo morno . pouco importa se se continua vivo. tem é que escrever uma carta quente e referenciar um frio instante de maior lucidez como se as radiografias fossem espelhos viscosos manchados e finos papéis que amareleceram de impaciência. se entrançar uma dúzia de maldições os copos estilhaçam cortantes e há a certeza de sobreviver transumantemente cantando como se a escrita fosse um ofício tumular. apud estrelas. cintilaria se os barcos fingissem afundar e o corpo gerasse uma própria fenda. assim, já que se iluminam os pulsos porque não por-me a morrer em sal. eis-me com a inutilidade do meu próprio inferno. outros poemas, nada e as aves abertas sobre o mar de especial. um programa de música de dança morna e atordoam-se os girassóis rápidos numa qualquer parte da cidade lenta.são os gatos que desfalecem à hora em que as aranhas se arrastam no rasto dos caracóis. quando são necessários é preciso encontrá-los antes que seja tarde.(é sempre tarde) a cidade exige urgência nas frontes e soluços incorruptos e a tolerância gasosa do hidrogénio dos respiradouros. há um cartaz colado na face polida de Esopo. com andorinhas secretas e pomares recheados.deixa que o corpo seja solar porque os gnomos partem cedo para a morte.sem avisar.levando consigo o stock existente de Sagres Bohemia e os amendoins com sal a girar nas docas das bocas em montanha russa.
serve a presente para constatar, no artigo 2 alínhea Y da referida associação, no âmbito das competências por si definiadas, juntamente com os demais presentes
apud
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Amigas da cultura ou how we looove C*!MBR#
As arahiças lançam um repto:
leiam e subscrevam o texto do/as amigo/as da cultura, AQUI.
Deixamos umas pitadas:
Coimbra é hoje uma cidade amarfanhada do ponto de vista cultural(...)
E é sobretudo muito triste que Coimbra continue espartilhada nesta forma de encarar a actividade cultural e a criação artística e amarrada a uma tão grande incompreensão sobre o papel destas actividades no desenvolvimento das pessoas e da comunidade.(...)
Para dizer que já chega. Para mostrar que não aceitamos com naturalidade a redução sistemática das verbas destinadas à cultura. Para apelar a uma urgente inversão de rumo (...)
A clavícula interior do sono
não entres mais. agora. basta de |
pétalas nocturnas. basta. Nasceram |
nocivas as trinta mulheres de |
olhos radiais tenho um requiem |
e plumas brancas para te ver arfar. recorto |
os recortes recortados da |
parcela que falta |
para o meu ombro. caule aquático |
.canta-me uma balada. das sete saias |
. ou quase nada. se(m)_te(r) tons |
dó menor e uma cegonha |
poisada como pedúnculo. sabes o que é um pedúnculo? sabes |
o que é a nervura de um lenço? |egue
cega-me |
as glândulas com os guizos |
e um castiçal contínuo e desiquilibrado |
inquilina fotografias cheias |
de ar |
de reservatórios de crianças - voltagens de astros. |
cospe o bosque completo do umbigo |
que na seiva volumosa dos ovos asfixia cobras |
corporais geralmente verdes |
geralmente longas |
mas também abissais alcançam por dentro
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
a clavícula interior do sono
Nasceram agora as trinta mulheres de olhos radiais
e tenho um requiem e plumas brancas para te ver arfar.
recorto os recortes recortados da parcela que falta
para o meu aniversário.
canta-me uma balada a sete tons em dó menor
e uma cegonha poisada como pedúnculo.
sabes o que é uma nervura de um lenço?
segue-me as glândulas com os guizos
e um castiçal contínuo. inquilina fotografias cheias de ar
e reservatório se as crianças voltagens de astros.
cospe o bosque completo do umbigo
que na seiva volumosa dos ovos asfixiam cobras corporais
geralmente verdes.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Tou Fabaios? Uma saídinha para Covão do Coelho Branco de Baixo, pode ser?
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: O quê? Para onde? (Não tá a ouvir a minha voz de pânico que eu estava a dormir e só atendi esta merda porque tinha de ser e ninguém me paga nada por isso? Mas o que foi? Eu sei lá alguma coisa dessas merdas e já me arrependi de te me ter metido nisto para conhecer miúdas no bar da associação.
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Oh Fabaios é que temos aqui um masculino delgado com 43 segundos de duração e diz que caiu do cânone abaixo e parece que está morto. O soneto que nos contactou disse que ele estava a perder coerências semânticas e a ficar sem rimas. Precisa urgentemente de manobras linguísticas avançadas de salvação. Se não aquilo depois fica de tal maneira experimental que não há quem aguente. O cânone já disse “Estamos a deixar isto chegar à epidemia”.
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Mas o que é que eu faço? Mas eu agora, oh valha-me nosso zenhor, não pode ser, que eu agora, portantos, tou sozinho.
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Vamos mandar uma Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema que está estacionada em Vila e Tal para ver se ainda há volta linguística a dar-lhe. Fale ali com a Sôtora Crítica de Letras e dê-lhe umas indicações.
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Tou? Tou? (Eu posso fazer de contas que não ouvi nada desta merda?) Tou? Tou?
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Valha-me deus, tou lixada.
Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila e Tal: Tou? Então diga-me lá como é que lá chego.
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Atão, agora como é que lhe vou dizer, oh valha-me deuze. Atão aquilo chega-se ali a Alguidares de Cima e vai sempre em frente, sempre em frente, nas bombas de gasolina em cima, tem uma rotunda à esquerda, depois chega à rotunda do poço e vira à esquerda, depois segue em frente em frente e chega ali ao SuperMarché e vira à direita para Covão do Coelho Branco de Baixa Auto-Estima, depois vira ao pé da árvore grande e segue em frente em frente em frente em frente e há-de chegar ali à oficina do Manel das Couves e segue sempre em frente em frente sempre em frente sempre em frente e depois há-de ver uma rotunda com duas partes porque não é bem uma rotunda mas a câmara esqueceu-se de a acabar o passeio muda de cor junto aos candeeiros e, portanto não há necessidade d'a controlar e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente de depois chega à placa de Covão do Coelho Branco de Baixo mas atenção, aí vire à esquerda porque se entra na povoação nunca mais de lá consegue sair por causa dos ovos gigantes, depois segue sempre em frente, sempre em frente sempre em frente é o covão. É aí. Isto a bem dizer é sempre em frente e não tem nada que enganar, sempre pela estrada afora. Desemtxaibido.
Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila e Tal: É?
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: É.
Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila e Tal: Para onde, desculpe?
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Pró Covão do Coelho Branco de Baixo. Então mas agora o que é que eu faço?
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Mas oh Fabaios, então pergunta-me o que tem de fazer? Nunca tal coisa me aconteceu, desculpe lá. Ai! É óbvio que tem de enviar já para lá uma viatura de Apoio ao Poema em Crise, não podemos permitir mais poemas a armar ao engraçado que pensam que são poemas e quê. Já para não falar desse pessoal que anda para aí a matar a literatura com as pupilas de fora ao escrever em computadores e tal e quê. Eu não quero ter o cânone à perna porque ele tem too much tomates. Não pode ser, temos de colocar já isso na linha. É seguir o protocolo, é contar-lhe os versos, é fazer riminhas giras, é alinhar tudo à esquerda, é colocar um título decente, é especialmente ver se o sujeito poético é sério, se é muito sério e qual o nível de sentimento e banalidades confessionais presentes, é ver o assunto que é fundamental e ver se há unidade temática e muitas comparações em vez de metáforas, não podemos tolerar coisas que não sejam profundamente imitações dos clássicos. Fui clara?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: O quê? Para onde? (Não tá a ouvir a minha voz de pânico que eu estava a dormir e só atendi esta merda porque tinha de ser e ninguém me paga nada por isso? Mas o que foi? Eu sei lá alguma coisa dessas merdas e já me arrependi de te me ter metido nisto para conhecer miúdas no bar da associação.)
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Oh Fabaios é que temos aqui um masculino com 43 segundos de duração e diz que caiu do cânone abaixo e parece que está morto. Precisa urgentemente de manobras linguísticas avançadas de salvação.
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Mas o que é que eu faço? Mas eu agora, oh valha-me nosso zenhor, não pode ser, que eu agora, portantos, tou sozinho.
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Vamos mandar uma Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema que está estacionada em Vila Teal para ver se ainda há volta linguística a dar-lhe. Fale ali com a Sôtora Crítica de Letras e dê-lhe umas indicações.
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Tou? Tou? (Eu posso fazer de contas que não ouvi nada desta merda?) Tou? Tou?
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Valha-me deus, tou lixada.
Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: Tou? Então diga-me lá como é que lá chego.
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Atão, agora como é que lhe vou dizer, oh valha-me deuze. Atão aquilo chega-se ali a Alguidares de Cima e vai sempre em frente, sempre em frente, nas bombas de gasolina em cima, tem uma rotunda à esquerda, depois chega à rotunda do poço e vira à esquerda, depois segue em frente em frente e chega ali ao SuperMarché e vira à direita para Covão do Coelho Branco de Baixa Auto-Estima, depois vira ao pé da árvore grande e segue em frente em frente em frente em frente e há-de chegar ali à oficina do Manel das Couves e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente e depois há-de ver uma rotunda com duas partes porque não é bem uma rotunda mas a câmara esqueceu-se de a acabar e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente de depois chega à placa de Covão do Coelho Branco de Baixo mas atenção, aí vire à esquerda porque se entra na povoação nunca mais de lá consegue sair por causa dos ovos gigantes, depois segue sempre em frente, sempre em frente sempre em frente é o covão. É aí. Isto a bem dizer é sempre em frente e não tem nada que enganar, sempre pela estrada afora.
Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: É?
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: É.
Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: Para onde, desculpe?
Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Pró Covão do Coelho Branco de Baixo. Então mas agora o que é que eu faço?
Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Mas oh Fabaios, então pergunta-me o que tem de fazer? Nunca tal coisa me aconteceu, desculpe lá. É óbvio que tem de enviar já para lá uma viatura de Apoio ao Poema em Crise, não podemos permitir mais poemas a armar ao engraçado que pensam que são poemas. Já para não falar desse pessoal que anda para aí a matar a literatura ao escrever em computadores e tal. Não pode ser, temos de colocar já isso na linha. É seguir o protocolo, é contar-lhe os versos, é fazer riminhas giras, é alinhar tudo à esquerda, é colocar um título decente, é especialmente ver se é muito sério e qual o nível de sentimento e banalidades confessionais presentes, é ver o assunto que é fundamental e ver se há muitas comparações em vez de metáforas, não podemos tolerar coisas que não sejam profundamente imitações dos clássicos. Fui clara?
Fonte irreal de inspiração em: http://www.youtube.com/watch?v=MRDh-5aEKkg
as regras da perda
sábado, 26 de janeiro de 2008
II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa
Estávamos muito entusiasmadas/o com o painel intitulado Na vanguarda da escrita - ciberliteratura mas logo se nos resfriaram os ânimos. Não queremos dizer mal só por dizer mal (o que às vezes não deixa de ser giro) até porque a iniciativa do IPL é de louvar, num país que tanto precisa de espaços comunitários de debate e troca de ideias, mas temos de tecer algo sobre isto, à laia de reflexão. Paulo Kellerman, Luis Costa Pires e Marta Gautier eram os convidados, e Pedro Barbosa o moderador, que abriu o dito painel com «AlletSator». «AlletSator» é uma obra de ambiente hipermédia substanciado por textos (lidos por diferentes vozes ao longo da obra) gerados automaticamente com auxílio de computador, e foi criado por Barbosa e Carvalheiro.
Foi pena pois foi. “Tivessem eles, pelo menos, lido alguma coisa sobre o assunto” (como referiu Rui Zink) e talvez, muito talvez, pudesse a coisa ter sido sustentada por mais alguém que não o magnífico Pedro Barbosa.
1-2-3-4-5aranhiças e bruno m. santos





