quarta-feira, 2 de abril de 2008

Esta é uma história com prognóstico reservado
de palavras
de útero descentrado em alta
tensão
e lesões sólidas de iiiis sem pontos
de mamilos
úberes de patologias várias
gases no sangue e tudo a quente

uma enorme história clínica de tangentes certeiras de sempre ao lado

as pupilas gustativas com aspecto altamente suspeito e inflamatório
os ossos
a sobreporem-se numa construção frágil de castelo minado por uma osteoqualquercoisa
glicose textual fora dos valores de referência
OUTRA VEZ!
baixas plaquetas vocabulares
corpus abundantemente
formais
má circulação generalizada
hipotermia na análise
insuficiência cardíaca

de repente as interjeições hemorrágicas
estamos a perdê-lo!
atenção ao ritmo canónico!

e a estrofe no último suspiro
já levei o meu guarda chuva!

terça-feira, 1 de abril de 2008

I
partir a lua
cozer livros na saia de interior

menina que contas tu meia louca?

quase quase
se
o corpo alinhar

emudecer onde se mata

II
esmifrar a lua
pelo interior dos palcos cozidos na saia


? menina que contas tu?
?que menina contas tu
? que contas
te

ventre a perfazer centáurios de água
paisagens de meia lua humedecida
quando avermelhada

se
o corpo diluir

morder as zonas rubicundas alinhavadas a cardume

segunda-feira, 31 de março de 2008

marketing ou "estes americanos devem estar loucos"

do lado de lá do oceano alguém se lembrou de vender poemas em barracas, vá, stands, por encomenda.
à dúzia será + barato?
e que tal uma experimentação no lado de cá?
saibam tudo aqui
(já estou a ver as patas das aranhiças a calcarem o país, de versos e teias às costas)

Demogorgon

a despropósito desses postes de alta tensão também conhecidos por poetas clássicos
: pessoa


na rua cheia de pavões tristes há casas que andam e gente parada
na rua de casas tristes há gente cheia e pavões parados
um prenúncio de áleas descidas sobre as pálpebras dos pavores
um bafo aberto no frio das grinaldas que dão para o sono das selvas desassossegadas
assim mesmo
o rebanho guarda nos pastores o ponto exacto onde a trovoada
amadurece
chuva oblíqua
máquina de fazer rios

quarta-feira, 26 de março de 2008

A pátria escancarada - de barriga para baixo!

(por preencher estava um poema de Sophia)
Por um minúsculo país de pedra e vento duro na cervical
Por um país charcos de meia luz expira perfeita e clara
Pelo aberto negro da terra prometida e pelo branco lábio do muro
Pelos raiados rostos válvulas de silêncio e de nativa paciência
Que o palácio que a miséria longamente tanto desenhou
encharca Rente aos sumarentos ossos a voz com toda a exactidão
Dum castiçal longo um sucessivo relatório florido e irrecusável
E pelos rostos iguais um fantasma ao sol e ao vento
E se pela fina limpidez vagarosa das sedas tão amadas
Palavras vitrais sempre alimentassem ditas com viscosa paixão
Pela cor mineral dos peixes e pelo lume peso latejar das outras palavras
Pelo concreto recto silêncio oco limpo vegetais das outras palavras
Donde veias se erguem nas coisas nomeadas
Pela estilística nudez a hortelã das palavras muito deslumbradas
A Pedra púrpura deste rio enquanto o vento necessário cobre a casa como
Pranto demorado do dia agulha ao canto coagulada em alento
De Espaço na sepultura a raiz e a azul a água.
Ó minha barriga que a pátria pariu e ao – meu – centro -
Eu à beira da minha mármore a vida tenra daria aos falcões
E vivo neste avermelhado tormento
nas prateleiras com um filão de gaivotas.




sexta-feira, 21 de março de 2008

1ª “expoemização” (exposição de poemas) intitulada “aranhiças & elefantes”

O projecto poético “5 aranhiças” apresenta a partir de sexta-feira, dia 21 de Março, no Café com Arte e no Feito Conceito em Coimbra, a 1ª “expoemização” (exposição de poemas) intitulada “aranhiças & elefantes”, um evento que pretende celebrar o Dia Internacional da Poesia de uma forma diferente. Nesta exposição convidamos quem visita a ler poesia contemporânea escrita pelas poetas integrantes do projecto “aranhiças” e também pelos poetas da “Oficina de Poesia” de Coimbra. Esta exposição estará patente durante uma semana e é composta por duas vertentes: os “poemendurados”, que, como o nome indica, são literalmente poemas pendurados pelo espaço dos 2 bares, e os “poemas take-away”, poemas publicados na Revista “Oficina de Poesia”, em formato de postal, que convidamos as pessoas a lerem e a levarem consigo.

Convidamos também todos/as os/as interessados a participar no projecto “5aranhiças” através do blog!


segunda-feira, 10 de março de 2008

A partir de Virginia Woolf

A irmã de Shakespeare

Ju disse
se
a lua tem buracos vivos
e os buracos das meias longas são meias luas
há que cozer livros nas meias luas dos buracos das meias
ler nos centaurios buracos os nervos
e com olhos escorridos de cães de água dançar por de dentro da saia de interior
os bolsos da menina dos olhos
que contas tu?

Ju disse se
meia louca à porta do palco
prepara o ventre lua de meias aos buracos
quase se
e
(e)mudeceu
se
o corpo alinhar
nas zonas rubras onde se matam príncipes

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

porque é genuíno
porque é abundante e fofo, mesmo hidratado
porque é esforçado, por vezes fenomenal
porque realmente não há melhor
que o produto nacional


prefira o tufo lusitano

prefira o tufo desenxaibido

prefira a quantidade e a qualidade

e terá um

tufo para a vida

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Fotonovela: Simplesmente Maria!


a mudança
tem 7 bicos

ir de burrinho para a estação<-- O plano estratégico

e o shell de Oito -->
é posto na rua
durante a noite
com um raminho de Oliveiras

<--e o shell de oito
forma estratégica de abordagem ao Riso
[leia-se: ahahahaha]

Maria é atropelada
no industrial das carnes
depois de ter comido
e não ter calado!

ISTO NÃO É O QUE TU PENSAS!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Colóquio Estudos Feministas e Cidadania Plena

as mulheres
mito aberto
.
seis meses
pousio
rasura

.

a nomeação é violenta
como mil corvos desdobrados em excesso normativo
penetração na estrutura de negrume
.
LUA
a linguagem das mulheres que possuem a chave
terra enfeudada
.
the kiss_o beijo
estilhaça
nós
.

eis
a retoma do corpo
público
proteico
.

no matter whatEVER
há estatutos
a cumprir
1) o feminismo encoraja a matar maridos
2) o feminismo mina o capitalismo
3) o feminismo mata filhos e filhas
4) o feminismo leva à prática do lesbianismo

no matter whatEVER
há corrector
corpográfico
1) verifique se quer manter matar
2) verique se quer manter capitalismo
3) verifique se quer manter maternidade
4) verifique
se quer manter
SE
verifique
SE

. é lésbica
. é complemento directo
. é contratante


.sem sugestões

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

poema depois de lhe dar a pomba seguido de inquérito

alguém
postou
um poema
no
pára-brisas-pára-brisas-pára-brisas.
veio a pomba
e cagou
no poema
nesta cidade
em infracção às leis
circulava hoje

MATRÍCULA 11-22-Bravo November

o Conselho das Deusas resolveu pesquisar o acaso
abre-se um questionário
na pomba
mal estacionada
no poema

II- Questionário
nome
: de pomba
contribuinte
:duas asas para a rasura do céu
licença
:toda
emitida por
ém

algures

parecer final
: cagalhoto da pomba podendo servir como prefácio do poema
descontínuo
ilegível

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

collage a partir de poema de Alberto Lacerda


inspirado numa duende

"visto que você não quer que as coisas continuem
assim
nesse caso
falemos de miosótis
Flor sobre a qual não sabemos
Nada"

ceci c'est un miosótis

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008




domingo, 3 de fevereiro de 2008

Pequeníssimo poema à (em) quadra

posto que-

no tempo das más-caras gordas me procuraste debaixo para cima e
disseste com o dedo mindinho lavadinho jeitosinho tolinho ser a hora do guizo
mu(n)do acordaaaaar!!! o carnaval essa teoria de afastamentos da carne

sendo que -
e tal e coisa e coisa e tal
e assim e assado

nunca dormias de cabeça para baixo na linha do meu OlhO esquerdO
e te enrOlavas sempre no círculO certO da serpentina a iniciar o azul

posto QUE -
sendo QUE -
ainda QUE -
mesmo QUE -
mas sobretudo porQUE
-
disfarçaste de tamanho o volume do baile dos três escafandros e aumentaste o ritmo do som certo

aposto que-
sendo que -
além de que -
e não tem de que
-
te vestes outra, te enrolas outra
diZ guise this guy não!

tivesse eu um

e outras formas de penumbra sistemática

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Pequeníssimo poema à quadra


posto que no tempo das máscaras gordas me procuraste debaixo para cima e disseste com o dedo mindinho ser a hora do guizo mudo acordaaaaar!!! o carnaval
sendo que nunca dormias de cabeça para baixo na linha do meu Olho esquerdo e te enrOlavas sempre no círculO certO da serpentina azul

posto QUE
sendo QUE
disfarçaste de tamanho o volume do baile e aumentaste ao ritmo do som certo

aposto que
sendo que
te vestes outra, te enrolas outra

diZ guise this guy não!

apud - Associação Portuguesa para a Usurpação De-mente

para a Alberto (hoje e sempre, a urbepoeta e uberpoeta mas, e sobretudo, úberepoeta)

Estatutos:

depois da carta bebe-se o vinho gelado e fotografa-se um corpo morno . pouco importa se se continua vivo. tem é que escrever uma carta quente e referenciar um frio instante de maior lucidez como se as radiografias fossem espelhos viscosos manchados e finos papéis que amareleceram de impaciência. se entrançar uma dúzia de maldições os copos estilhaçam cortantes e há a certeza de sobreviver transumantemente cantando como se a escrita fosse um ofício tumular. apud estrelas. cintilaria se os barcos fingissem afundar e o corpo gerasse uma própria fenda. assim, já que se iluminam os pulsos porque não por-me a morrer em sal. eis-me com a inutilidade do meu próprio inferno. outros poemas, nada e as aves abertas sobre o mar de especial. um programa de música de dança morna e atordoam-se os girassóis rápidos numa qualquer parte da cidade lenta.são os gatos que desfalecem à hora em que as aranhas se arrastam no rasto dos caracóis. quando são necessários é preciso encontrá-los antes que seja tarde.(é sempre tarde) a cidade exige urgência nas frontes e soluços incorruptos e a tolerância gasosa do hidrogénio dos respiradouros. há um cartaz colado na face polida de Esopo. com andorinhas secretas e pomares recheados.deixa que o corpo seja solar porque os gnomos partem cedo para a morte.
sem avisar.levando consigo o stock existente de Sagres Bohemia e os amendoins com sal a girar nas docas das bocas em montanha russa.

serve a presente para constatar, no artigo 2 alínhea Y da referida associação, no âmbito das competências por si definiadas, juntamente com os demais presentes

apud

para a Alberto (hoje, a urbepoeta)
depois da carta bebe-se o vinho e fotografa-se um corpo. pouco importa se se continua vivo. tem é que escrever uma carta e referenciar um instante de maior lucidez como se as radiografias fossem espelhos manchados e finos papéis que amareleceram. se entrançar uma dúzia de maldições os copos estilhaçam e há a certeza de sobreviver transumantemente cantando como se a escrita fosse um ofício tumular. apud estrelas. cintilaria se os barcos fingissem afundar e o corpo gerasse uma própria fenda. assim, já que se iluminam os pulsos porque não por-me a morrer em sal. eis-me com a inutilidade do meu próprio inferno. outros poemas, nada de especial. um programa de música de dança e atordoam-se os girassóis numa qualquer parte da cidade.são os gatos que desfalecem quando são necessários. é preciso encontrá-los antes que seja tarde.a cidade exige urgência nas frontes e soluços incorruptos e a tolerância do hidrogénio dos respiradouros. há um cartaz colado na face polida de Esopo. com andorinhas secretas e pomares recheados.deixa que o corpo seja solar porque os gnomos partem cedo para a morte.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008