quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
poemacão
porta-luvas, negro-espuma
late, late, levemente
late três vezes sem saber
espuma-te o pelo,
raivoso.
espuma-te a narina
um odor
louca espuma de pudor
ed Ude
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
experimenta
s para quebrar como se
tudo não estivesse já que
brado e tudo estivesse já
quebrado e experimenta [tu]
sse com magias feitas alq
uimias velhas infeitas de
sfeitass alagadas em poder
idão. temos nomes nos.
domingo, 11 de janeiro de 2009
ensaio sobre a beleza
ensaio sobre a beleza #03(do dia ao contrário onde estava a beleza)
um dia a beleza vai devorar a noite para que possa ser a beleza a noite inteira
agora estou só a falar e a dizer: é a beleza que está a mais nisto tudo. é a beleza que está no início e no fim. não está por acaso que os olhos a vêem no lugar para que olham. e para onde eles olham é onde está o fundamento, a beleza como incontido o segredo que brota. tenho a beleza como o fundamento que descobri e através dele é como falo quando tenho que falar e dizer dela o que não consigo mais não dizer. e a noite no princípio do fundamento antes da beleza é o que está antes de mim e da beleza. um lugar secreto de depois também onde pensamos que estamos e que é beleza. estou simetricamente perante a beleza que é toda para que a veja o mundo e que me obriga a falar dela porque então se não morro de não a dizer. e dito assim, eu queria um lugar só para a beleza como quando titãs se encontram no espaço e ficam no lugar delas suspensas para que existam e as vejamos e para que a beleza tenha o lugar dela, onde ela estivesse se não fosse aquilo tudo já o que foi. e estivesse de estar tanta e tanto que fosse demais se acaso ela pode ser a mais. eu queria um lugar em que ela fosse toda só um mundo. a beleza a transbordar pelo universo dentro, não para fora, ele ainda mais de belo ser outra vez belo da beleza ser a terra a singrar contra os meus olhos que vão contra a beleza que vejo. vejo tanto a beleza que não sei ver mais nada. há uma beleza que é a que vejo e que é de que não consigo falar. mas nas palavras que digo sobre a beleza, estou a dizer sobre a que não disse, que é onde eu estou sempre nessa beleza quando estou em silêncio. se fosse a beleza uma dessas coisas. silêncio que é onde está a beleza agora no seu preciso lugar: é na beleza que estou por fim quando fecho os olhos e não os abro mais. se vir a beleza quando fechar os olhos, posso morrer e não ver mais nada.
Sandra g.d.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Maria vai com as outras
numa bela tarde de janeiro
e pela noite dentro
maria vai com as outras
numa bela tarde e pela noite dentro
maria vai com as outras
arde
vai com as outras
contra a noite dentro dos mecanismos pulsatórios
onde nunca lhe fora permitido não um protagonismo
mas algum contra agonismo maria
vai com as outras
maria
e as outras vão com a vontade e com a força
maria contra a sentença da forca da vontade
maria vai
com as outras marias
maria vai com as outras
vai com traz as outras maria
s com trabalho mas vai com
todo o baralho contra os jogos genéricos viciados.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Quando mentes com todos os dentes
Sentes que és dentes quando mordes
Quando mordes com todos os dentes
Sentes que és tinta quando pintas
Sinto que sou destes quando me apontam
A ponto de sentir que sou destes
Quando consinto que destes sou só
E sinto que desminto quando me dói
Sentes que és gente e que te sente
mas é mentira.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
domingo, 28 de dezembro de 2008
O que Derrida diz sobre nós
"A teia envolvendo a teia. Séculos a desfazer a teia. Reconstituindo-a também como um organismo. Regenerando indefinidamente o seu próprio tecido atrás do rasto que corta, da decisão de cada leitura. Reservando sempre uma surpresa à anatomia ou à fisiologia de uma crítica que julgasse dominar o seu jogo, vigiar simultaneamente todos os fios, enganando-se também por querer olhar o texto sem lhe tocar, sem meter a mão no 'objecto' sem se arriscar a acrescentar-lhe qualquer novo fio, única 'chance' de entrar no jogo deixando os dedos prenderem-se nele."
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
debaixo do chão instável "your own personal jesus" ideal
ideal para oferecer no Natal
tem comando ..tem cu tem mando
mente de choro remoto ..que tem marcha-a-ré na moto
mas tem
um ouvido só
mas tem
.......ouvido só
para si só para si se fizer
pelo menos um sacrifício
pequenino como o menino
mas tem que ser.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
sábado, 20 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Regresso.
aranhiças & elefantes: não somos um movimento poético. a ser, um desequilíbrio de palavras, imagens e sons. um não-lugar para quantas as vozes que quiserem habitar uma casa sem ventrílo-u-c-o-s.
tudo é POEMACTOM, por que a poesia des-TECE-SE.COM mãos e patas, trombas e narizes, olhos e orelhas, e todas as PRÓTESES possíveis.
nessa teia, sempre incompleta, sempre em processo, criar fendas nas formatadas com que nos põem a desOLHAR o mundo.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
aranhiças & elefantes em estria
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
ADENDA (OU AVISO À TRIP_ULAÇÃO)
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
sábado, 9 de agosto de 2008
o ninho
.é pela saliva que os oráculos se esboçam
nas madressilvas de infinitos pátios
despenham-se pássaros perfumados
e as palavras vivem em amado sangue púrpura
e cervicais vertiginosamente alimentadas.
como os poetas coronariamente
ajoelham em argilas cristalinas
dobrados pela noite dentro inata de cânticos frios e marinheiros
o diabo é natalício e bebe as espigas em grito
em pórticos destruídos e gritos de gansos pela cabeça.
um areal obsessivo
e um crepúsculo imaculado
e taças de veneno divinas
para algodoar o corpo antes que imensas vozes o bebam em corcel
os maxilares rompem rosados
em gerações de quadrúpedes e guerreiros disformes
crateras e cordilheiras
e o cérebro é um miolo de respiração infinitamente breve.
os meus pulsos ausentam-se
os livros antigos ao amanhecer violeta
definem alabardas azuis-líquidas
e barcos regressados das sepulturas âmbares
entre os lábios e a fala
onde rebentam folhas duma cor incómoda
entre livros e algum crime
a equívoca luz depois dos espelhos
então cerca-te explodindo pássaros
para afagar as vísceras
na próxima veia, à hora das fogueiras,
volto às películas.



