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sábado, 28 de agosto de 2010

Notas sobre Poesia Digital

1) "Red Night Poetry" is a digital poetry made by a lot of numeric poetries done by internet consumers.
2) revista INTERACT - revista de arte, cultura e tecnologia

quinta-feira, 5 de agosto de 2010



"For the signifier, when devoid of its signified, is like an interiority without the drive to externalization."


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domingo, 17 de janeiro de 2010

Cazuza

domingo, 15 de novembro de 2009

O que é ....

"aranhicas e elefantes" é um blog colectivo que pretende desenhar um espaço de produção e de interrogação no âmbito da poesia experimental. O objectivo é a desapropriação da escrita e a diluição da autoria. A primeira concretiza-se através do conceito de “escangalhanço” que, na prática, permite a criação de um texto a partir de um esboço inicial que depois é sujeito à intervenção dos/as membros do blog que podem eliminar, acrescentar, recolocar, recombinar palavras, expressões, imagens e sons. Cada novo “post” fica aberto a estes processos que o levam a percorrer um caminho de criação colectiva. A diluição da autoria concretiza-se através da inexistência de nomes convencionais de autores havendo apenas uma identificação necessária à visualização do processo que cada “post” atravessou.

A cor é o único indício/vestígio de autoria -- surge apenas para que o processo criativo seja tornado visível. Fazer parte deste processo criou as condições para a nossa recolocação enquanto autores e perceber a dimensão da “presença” do autor, perceber a importância do anonimato e do espaço que ele cria. Michel Foucault produziu um conjunto de reflexões sobre estas questões. Em concreto, em “O que é um autor” reflecte sobre a contemporaneidade do acto da escrita pondo em questão a função do nome de autor na própria escrita e na recepção da mesma. Considerando a individualização do autor na cultura ocidental, Foucault refere o facto de ocorrer um cruzamento entre a vida e a obra passando o texto a apontar para essa figura que lhe é exterior e anterior de tal forma que a biografia de quem escreve pode ser a do autor, pode ser a da pessoa do autor. Urge aqui a possibilidade de questionar acerca da alteridade da escrita. Caberá nesta argumentação de Foucault o trânsito do escritor entre a sua entidade da simples existência e a entidade da sua produção criativa? Haverá sentido na própria distinção que assim se faz? O que é um autor?

No entender de Foucault a escrita abre um espaço de permanente desaparecimento do sujeito e é nessa ausência que ele exerce a sua singularidade. Esta não deve ser anterior nem exterior ao acto de escrita. Estando o nome de autor fora desse processo, o momento de forte individualidade que ele proporciona na nossa contemporaneidade não tem sentido. O espaço do anonimato será, exactamente, o espaço de exercício de uma individualidade que decorre directamente da escrita produzida em vez de decorrer de uma função classificativa e de autenticação do lugar exterior do nome de autor. A marca do escritor não é mais do que a singularidade da sua ausência. É-lhe necessário representar o papel do morto no jogo da escrita (Foucault, 1992). Será neste sentido que os membros do blog experimentam o acto de escrita e a relação com a comunidade. Observar o efeito naqueles que nos ‘lêem’ era algo importante para chegar a algum tipo de conclusão sobre este exercício. Obliterar os sinais de individualidade de cada um de nós e reclamar um espaço na escrita de cada um dos outros – que tipo de reacção provocaria? Que questões levantaria? Confrontando com a análise feita por Foucault, o desaparecimento de cada um de nós no âmbito da autoria e a expressão da individualidade apenas no interior da escrita, das palavras será possível na tensão com a função de autor. Concretamente, a partir de determinado momento, um/a ‘visitante’ regular do blog contactará com a produção do mesmo através dos nomes “aranhiça X” ou “elefante X” aos quais já reconhece um papel e uma função classificativa. A identificação por si só, na medida em que pode atribuir a cada aranhiça ou elefante uma palavra ou expressão, etc., é algo que se tornou indispensável para o acompanhamento do “escangalhanço” e, neste sentido, era desejável essa identificação. Porém, o reconhecimento de determinada aranhiça ou elefante como criador com uma tendência, postura, escrita específica representa um limite à interrogação da noção de autoria. Foucault aborda esta questão na distinção entre nome próprio e nome de autor. Em certa medida o nome de autor é um nome próprio pois exerce uma função de designação mas, também, uma função de descrição. Na medida em que o visitante regular tem a possibilidade de reconhecer a uma “aranhiça” ou “elefante” determinadas tendências e uma homogeneidade das suas participações no blog, essa designação passa a ser um nome de autor. Na medida em que este serve para caracterizar um certo modo de ser do discurso, o objectivo de diluição da autoria é atingido apenas na medida em que o /a “visitante” não medeie o seu contacto com os textos através das entidades “aranhiça X” ou “elefante X” às quais atribui um conjunto de características no que toca à escrita de cada um.

Admitindo esta limitação, a questão que se coloca e que colocamos a quem nos lê é: interessa-vos quem fala?

Lançamos um desafio à parva de bola

Publicamos um texto teórico, onde uma aranhiça reflecte sobre o blog "aranhiças e elefantes" à luz da proposta teórica de Foucault:"O que é um autor?".
o desafio, para leitores/as e elefantes e aranhiças, é alargar este texto e levá-lo para outros caminhos, colocar outras questões, ou fazer comentários, dar sugestões, aparvalhar, enfim, o que quiserem.
por favor, participem, ie, ESCANGALHEM :)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

L=A=N=G=U=A=G=E

um blog de um dos poetas do movimento literário norte-americano L=A=N=G=U=A=G=E:
Ron Silliman

um site com digitalizações de pequenas revistas underground do meio literário norte-americano
eclipse

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pedro Seabra de Moura



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O reputadíssimo crítico literário e de
variedades líricas
Pedro Seabra de Moura
passou pelo blog das
aranhiças & elefantes
e diz que eh pá isto não
é poesia.
.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O que Derrida diz sobre nós


"A teia envolvendo a teia. Séculos a desfazer a teia. Reconstituindo-a também como um organismo. Regenerando indefinidamente o seu próprio tecido atrás do rasto que corta, da decisão de cada leitura. Reservando sempre uma surpresa à anatomia ou à fisiologia de uma crítica que julgasse dominar o seu jogo, vigiar simultaneamente todos os fios, enganando-se também por querer olhar o texto sem lhe tocar, sem meter a mão no 'objecto' sem se arriscar a acrescentar-lhe qualquer novo fio, única 'chance' de entrar no jogo deixando os dedos prenderem-se nele."

in "O exorbitante", Jacques Derrida

sábado, 26 de janeiro de 2008

II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa

As aranhiças foram em excreção a Leiria para o II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa organizado pelo IPL.
Tivemos o prazer de partilhar esta excreção com um amigo, também ele tecelador da coisa da poesia, para podermos trocar ideias, sermos mais no caso da experiência se revelar avassaladora e para podermos agora estraçalhar a várias mãos a dita experiência.
Estávamos muito entusiasmadas/o com o painel intitulado Na vanguarda da escrita - ciberliteratura mas logo se nos resfriaram os ânimos. Não queremos dizer mal só por dizer mal (o que às vezes não deixa de ser giro) até porque a iniciativa do IPL é de louvar, num país que tanto precisa de espaços comunitários de debate e troca de ideias, mas temos de tecer algo sobre isto, à laia de reflexão. Paulo Kellerman, Luis Costa Pires e Marta Gautier eram os convidados, e Pedro Barbosa o moderador, que abriu o dito painel com «AlletSator». «AlletSator» é uma obra de ambiente hipermédia substanciado por textos (lidos por diferentes vozes ao longo da obra) gerados automaticamente com auxílio de computador, e foi criado por Barbosa e Carvalheiro.
E depois deste momento vanguardista caímos. Bem para dentro do umbigo dos convidados do painel. E verificámos que têm umbigos perfeitamente conservadores, perfeitamente desconhecedores daquilo para que foram convidados a falar sobre, perfeitamente qualquer-coisa-que-tem-um-blog-e-o-resto-é-nevoeiro. E Pedro Barbosa a desunhar-se diplomaticamente para tentar corrigir dissimular evitar inverter quebrar os “mitos culturais”, e paliar a cyber ignorância e cyber-LATA dos convidados. Ainda fomos presenteado/as com o argumento “a la” fotonovela simplesmente Maria, de que essa coisa de recorrer às técnicas de texto assistida por computador pode ser perigoso (!!!), e que tira a humanidade à literatura, pois desaparece o lugar da emoção no processo de escrita, leia-se escritor/a-indivíduo-all-mighty-iluminado/a a.k.a o/a-grande-artista-sagrado/a. E chegaríamos a um ponto “a la” apocalipse final em que não se conseguiria mais “domar” a máquina e ela produziria fantásticos textos desenfreadamente! … E ainda tivemos de ouvir num outro registo de resistência à, e desconhecimento de, cyberliteratura, Marta Gautier a reflectir sobre a sua profissão, a de psicóloga, que exige tanto de si (sic), e de como os áudio-livros até são bem pensados (refere que é uma experiência muito bonita e gratificante ouvir ler livros no meio do trânsito), e que os livros dela têm areia, mas que não se preocupem que o virtual não vai substituir o papel… Bem, de resto, como compreenderão, estes são os argumentos (?se é que houve “argumentos”) de quem não conhece minimamente o meio da ciberliteratura/ poesia digital ou hipermédia.
Foi pena pois foi. “Tivessem eles, pelo menos, lido alguma coisa sobre o assunto” (como referiu Rui Zink) e talvez, muito talvez, pudesse a coisa ter sido sustentada por mais alguém que não o magnífico Pedro Barbosa.

1-2-3-4-5aranhiças e bruno m. santos