quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Amigas da cultura ou how we looove C*!MBR#

Pois é. às vezes quando se fala muito numa coisa. essa coisa é importante. pela língua. pode mesmo. empurrar-se ministro/as do poleiro. chão.

As arahiças lançam um repto:
leiam e subscrevam o texto do/as amigo/as da cultura, AQUI.
Deixamos umas pitadas:
Coimbra é hoje uma cidade amarfanhada do ponto de vista cultural(...)
E é sobretudo muito triste que Coimbra continue espartilhada nesta forma de encarar a actividade cultural e a criação artística e amarrada a uma tão grande incompreensão sobre o papel destas actividades no desenvolvimento das pessoas e da comunidade.(...)
Para dizer que já chega. Para mostrar que não aceitamos com naturalidade a redução sistemática das verbas destinadas à cultura. Para apelar a uma urgente inversão de rumo (...)

A clavícula interior do sono

não entres mais. agora. basta de |

pétalas nocturnas. basta. Nasceram |

nocivas as trinta mulheres de |

olhos radiais tenho um requiem |

e plumas brancas para te ver arfar. recorto |

os recortes recortados da |

parcela que falta |

para o meu ombro. caule aquático |

.canta-me uma balada. das sete saias |

. ou quase nada. se(m)_te(r) tons |

dó menor e uma cegonha |

poisada como pedúnculo. sabes o que é um pedúnculo? sabes |

o que é a nervura de um lenço? |egue

cega-me |

as glândulas com os guizos |

e um castiçal contínuo e desiquilibrado |

inquilina fotografias cheias |

de ar |

de reservatórios de crianças - voltagens de astros. |

cospe o bosque completo do umbigo |

que na seiva volumosa dos ovos asfixia cobras |

corporais geralmente verdes |

geralmente longas |

mas também abissais alcançam por dentro



terça-feira, 29 de janeiro de 2008

a clavícula interior do sono

Não entres mais agora. basta de flores nocturnas. Basta.
Nasceram agora as trinta mulheres de olhos radiais
e tenho um requiem e plumas brancas para te ver arfar.
recorto os recortes recortados da parcela que falta
para o meu aniversário.
canta-me uma balada a sete tons em dó menor
e uma cegonha poisada como pedúnculo.
sabes o que é uma nervura de um lenço?
segue-me as glândulas com os guizos
e um castiçal contínuo. inquilina fotografias cheias de ar
e reservatório se as crianças voltagens de astros.
cospe o bosque completo do umbigo
que na seiva volumosa dos ovos asfixiam cobras corporais
geralmente verdes.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Tou Fabaios? Uma saídinha para Covão do Coelho Branco de Baixo, pode ser?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: O quê? Para onde? (Não tá a ouvir a minha voz de pânico que eu estava a dormir e só atendi esta merda porque tinha de ser e ninguém me paga nada por isso? Mas o que foi? Eu sei lá alguma coisa dessas merdas e já me arrependi de te me ter metido nisto para conhecer miúdas no bar da associação.


Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Oh Fabaios é que temos aqui um masculino delgado com 43 segundos de duração e diz que caiu do cânone abaixo e parece que está morto.
O soneto que nos contactou disse que ele estava a perder coerências semânticas e a ficar sem rimas. Precisa urgentemente de manobras linguísticas avançadas de salvação. Se não aquilo depois fica de tal maneira experimental que não há quem aguente. O cânone já disse “Estamos a deixar isto chegar à epidemia”.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Mas o que é que eu faço? Mas eu agora, oh valha-me nosso zenhor, não pode ser, que eu agora, portantos, tou sozinho.

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Vamos mandar uma Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema que está estacionada em Vila
e Tal para ver se ainda há volta linguística a dar-lhe. Fale ali com a Sôtora Crítica de Letras e dê-lhe umas indicações.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Tou? Tou? (Eu posso fazer de contas que não ouvi nada desta merda?) Tou? Tou?

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Valha-me deus, tou lixada.


Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila
e Tal: Tou? Então diga-me lá como é que lá chego.


Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Atão, agora como é que lhe vou dizer, oh valha-me deuze. Atão aquilo chega-se ali a Alguidares de Cima e vai sempre em frente, sempre em frente, nas bombas de gasolina em cima, tem uma rotunda à esquerda, depois chega à rotunda do poço e vira à esquerda, depois segue em frente em frente e chega ali ao SuperMarché e vira à direita para Covão do Coelho Branco de Baixa Auto-Estima, depois vira ao pé da árvore grande e segue em frente em frente em frente em frente e há-de chegar ali à oficina do Manel das Couves e segue sempre em frente em frente sempre em frente sempre em frente e depois há-de ver uma rotunda com duas partes porque não é bem uma rotunda mas a câmara esqueceu-se de a acabar o passeio muda de cor junto aos candeeiros e, portanto não há necessidade d'a controlar e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente de depois chega à placa de Covão do Coelho Branco de Baixo mas atenção, aí vire à esquerda porque se entra na povoação nunca mais de lá consegue sair por causa dos ovos gigantes, depois segue sempre em frente, sempre em frente sempre em frente é o covão. É aí. Isto a bem dizer é sempre em frente e não tem nada que enganar, sempre pela estrada afora. Desemtxaibido.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila
e Tal: É?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: É.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila
e Tal: Para onde, desculpe?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Pró Covão do Coelho Branco de Baixo. Então mas agora o que é que eu faço?

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Mas oh Fabaios, então pergunta-me o que tem de fazer? Nunca tal coisa me aconteceu, desculpe lá. Ai! É óbvio que tem de enviar já para lá uma viatura de Apoio ao Poema em Crise, não podemos permitir mais poemas a armar ao engraçado que pensam que são poemas e quê. Já para não falar desse pessoal que anda para aí a matar a literatura com as pupilas de fora ao escrever em computadores e tal e quê.
Eu não quero ter o cânone à perna porque ele tem too much tomates. Não pode ser, temos de colocar já isso na linha. É seguir o protocolo, é contar-lhe os versos, é fazer riminhas giras, é alinhar tudo à esquerda, é colocar um título decente, é especialmente ver se o sujeito poético é sério, se é muito sério e qual o nível de sentimento e banalidades confessionais presentes, é ver o assunto que é fundamental e ver se há unidade temática e muitas comparações em vez de metáforas, não podemos tolerar coisas que não sejam profundamente imitações dos clássicos. Fui clara?



Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Tou Fabaios? Uma saídinha para Covão do Coelho Branco de Baixo, pode ser?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: O quê? Para onde? (Não tá a ouvir a minha voz de pânico que eu estava a dormir e só atendi esta merda porque tinha de ser e ninguém me paga nada por isso? Mas o que foi? Eu sei lá alguma coisa dessas merdas e já me arrependi de te me ter metido nisto para conhecer miúdas no bar da associação.)

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Oh Fabaios é que temos aqui um masculino com 43 segundos de duração e diz que caiu do cânone abaixo e parece que está morto. Precisa urgentemente de manobras linguísticas avançadas de salvação.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Mas o que é que eu faço? Mas eu agora, oh valha-me nosso zenhor, não pode ser, que eu agora, portantos, tou sozinho.

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Vamos mandar uma Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema que está estacionada em Vila Teal para ver se ainda há volta linguística a dar-lhe. Fale ali com a Sôtora Crítica de Letras e dê-lhe umas indicações.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Tou? Tou? (Eu posso fazer de contas que não ouvi nada desta merda?) Tou? Tou?

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Valha-me deus, tou lixada.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: Tou? Então diga-me lá como é que lá chego.

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Atão, agora como é que lhe vou dizer, oh valha-me deuze. Atão aquilo chega-se ali a Alguidares de Cima e vai sempre em frente, sempre em frente, nas bombas de gasolina em cima, tem uma rotunda à esquerda, depois chega à rotunda do poço e vira à esquerda, depois segue em frente em frente e chega ali ao SuperMarché e vira à direita para Covão do Coelho Branco de Baixa Auto-Estima, depois vira ao pé da árvore grande e segue em frente em frente em frente em frente e há-de chegar ali à oficina do Manel das Couves e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente e depois há-de ver uma rotunda com duas partes porque não é bem uma rotunda mas a câmara esqueceu-se de a acabar e segue sempre em frente sempre em frente sempre em frente de depois chega à placa de Covão do Coelho Branco de Baixo mas atenção, aí vire à esquerda porque se entra na povoação nunca mais de lá consegue sair por causa dos ovos gigantes, depois segue sempre em frente, sempre em frente sempre em frente é o covão. É aí. Isto a bem dizer é sempre em frente e não tem nada que enganar, sempre pela estrada afora.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: É?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: É.

Unidade Avançada de Suporte Linguístico do Poema de Vila Teal: Para onde, desculpe?

Organismo Voluntário de Salvação do Poema Quando Lhe Apetece de Fabaios: Pró Covão do Coelho Branco de Baixo. Então mas agora o que é que eu faço?

Instituto Nacional de Salvação do Poema em Crise: Mas oh Fabaios, então pergunta-me o que tem de fazer? Nunca tal coisa me aconteceu, desculpe lá. É óbvio que tem de enviar já para lá uma viatura de Apoio ao Poema em Crise, não podemos permitir mais poemas a armar ao engraçado que pensam que são poemas. Já para não falar desse pessoal que anda para aí a matar a literatura ao escrever em computadores e tal. Não pode ser, temos de colocar já isso na linha. É seguir o protocolo, é contar-lhe os versos, é fazer riminhas giras, é alinhar tudo à esquerda, é colocar um título decente, é especialmente ver se é muito sério e qual o nível de sentimento e banalidades confessionais presentes, é ver o assunto que é fundamental e ver se há muitas comparações em vez de metáforas, não podemos tolerar coisas que não sejam profundamente imitações dos clássicos. Fui clara?


Fonte irreal de inspiração em: http://www.youtube.com/watch?v=MRDh-5aEKkg

as regras da perda

Poema desta aranhiça lido por esta aranhiça com colaboração vocal desta aranhiça: (Clicar em "play" para ouvir). Com a colaboração musical de João Guerra.

sábado, 26 de janeiro de 2008

II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa

As aranhiças foram em excreção a Leiria para o II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa organizado pelo IPL.
Tivemos o prazer de partilhar esta excreção com um amigo, também ele tecelador da coisa da poesia, para podermos trocar ideias, sermos mais no caso da experiência se revelar avassaladora e para podermos agora estraçalhar a várias mãos a dita experiência.
Estávamos muito entusiasmadas/o com o painel intitulado Na vanguarda da escrita - ciberliteratura mas logo se nos resfriaram os ânimos. Não queremos dizer mal só por dizer mal (o que às vezes não deixa de ser giro) até porque a iniciativa do IPL é de louvar, num país que tanto precisa de espaços comunitários de debate e troca de ideias, mas temos de tecer algo sobre isto, à laia de reflexão. Paulo Kellerman, Luis Costa Pires e Marta Gautier eram os convidados, e Pedro Barbosa o moderador, que abriu o dito painel com «AlletSator». «AlletSator» é uma obra de ambiente hipermédia substanciado por textos (lidos por diferentes vozes ao longo da obra) gerados automaticamente com auxílio de computador, e foi criado por Barbosa e Carvalheiro.
E depois deste momento vanguardista caímos. Bem para dentro do umbigo dos convidados do painel. E verificámos que têm umbigos perfeitamente conservadores, perfeitamente desconhecedores daquilo para que foram convidados a falar sobre, perfeitamente qualquer-coisa-que-tem-um-blog-e-o-resto-é-nevoeiro. E Pedro Barbosa a desunhar-se diplomaticamente para tentar corrigir dissimular evitar inverter quebrar os “mitos culturais”, e paliar a cyber ignorância e cyber-LATA dos convidados. Ainda fomos presenteado/as com o argumento “a la” fotonovela simplesmente Maria, de que essa coisa de recorrer às técnicas de texto assistida por computador pode ser perigoso (!!!), e que tira a humanidade à literatura, pois desaparece o lugar da emoção no processo de escrita, leia-se escritor/a-indivíduo-all-mighty-iluminado/a a.k.a o/a-grande-artista-sagrado/a. E chegaríamos a um ponto “a la” apocalipse final em que não se conseguiria mais “domar” a máquina e ela produziria fantásticos textos desenfreadamente! … E ainda tivemos de ouvir num outro registo de resistência à, e desconhecimento de, cyberliteratura, Marta Gautier a reflectir sobre a sua profissão, a de psicóloga, que exige tanto de si (sic), e de como os áudio-livros até são bem pensados (refere que é uma experiência muito bonita e gratificante ouvir ler livros no meio do trânsito), e que os livros dela têm areia, mas que não se preocupem que o virtual não vai substituir o papel… Bem, de resto, como compreenderão, estes são os argumentos (?se é que houve “argumentos”) de quem não conhece minimamente o meio da ciberliteratura/ poesia digital ou hipermédia.
Foi pena pois foi. “Tivessem eles, pelo menos, lido alguma coisa sobre o assunto” (como referiu Rui Zink) e talvez, muito talvez, pudesse a coisa ter sido sustentada por mais alguém que não o magnífico Pedro Barbosa.

1-2-3-4-5aranhiças e bruno m. santos

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008


terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Convite à fuga em pano

Ano Novo à solta, aranhiças na blogosfera!

somos ARANHIÇAS, e como tal, ARANHIÇAMOS ARANHICES muito mal ARANHIÇADAS.

as aranhiças querem estar na moda! por isso estão na blogosfera. e não nos contentámos com isso! como agora há planos para nacionalmente tudo (plano de leitura, plano de prevenção rodoviária, plano de ordenamento do território, e para mais informações consultar o site do governamento), as aranhiças também reivindicam o direito a um plano apátrida:
é o PANO DE FUGA.
Lanças algo nesta teia, que se vai tecendo, ao jeito de uma action paiting dos PollockEzes e outras lâmpadas fundidas. Como temos que dar uso às patas que temos, vamos fazendo coisas por aqui, com os signos que temos à pata de semear, mas sobretudo, com os que poderiamos ter. e como não há patas que cheguem para isso, pedimos uma mãozinha, uma patinha ou qualquer ajudinha, que será muito agradecida! Ajuda para quê? PARA *ESCANGALHAR O POEMA, OS SIGNOS, OS SIGNIFICADOS, A REALIDADE!
cá vai a ideia do pano de fuga (não necessariamente por esta hierarquia):

1. as 5aranhiças (aranhiça1,2,3,4 e 5 aglutinadas sob essa totalidade que é a 5aranhiças) postam um poema

2. a(s) aranhiça(s) 1,2,3,4 e/ou 5 escangalham esse poema que foi postado por uma das 5 aranhiças (note: o escangalhamento inter-aranhiçico, está assinalado por cores).

3. a pessoa,animal ou assim-assim pega nesse poema e escangalha-o também, e LANÇA-O NA TEIA (os convencionais "comments") correspondente ao poema-base (que no fundo, pode não existir, porque ja foi escangalhado inter-aranhicicamente)

4. as aranhiças, pessoa, animal ou planta voltam ou não a escangalhar o poema-escangalhado

5. assim sucessivamente

6. *ESCANGALHAR é uma técnica ancestral que consiste em alterar os poemas-base, isto é: acrescentar-lhes palavras, versos, imagens e/ou retirar-lhes palavras, versos imagens, em suma, ESCANGALHAR é destruir e/ou (re)criar.

7. quem não estiver com paciência para escangalhar nada, LANÇA-NOS UM DESAFIO! por exemplo "escrevam a partir desta palavra", ou qualquer outra coisa!

8. como as aranhiças são um pouco confusas, para qualquer dúvida que nós tenhamos tecido, é favor contactar-nos pelo mail. adoramos receber correspondência!

9. pode-se fumar neste blog, e pode mesmo fumar-se este blogue.

10. é obrigatória a reciclagem, e tudo a perspicácia verde-para-a-vida-e-para-a-morte.


11. Please, DO Disturb(S) us!



* ESCANGALHAR: qualquer coincidência com o escangalhar do bolo-rei é pura fi(xa)cção.